Grupos de Afinidade São Gangues de Rua Com Análise – Relembrando UP AGAINST THE WALL, MOTHERFUCKERS!

“Vandalismo, Depredação e Análise”

Grupos de afinidades são grupos pequenos de pessoas que compartilham amizade, intimidade e confiança que se organizam para um fim. Na história do anarquismo, foram fundamentais para a sustentação de movimentos e revoluções inteiras, como na Federação Anarquista Ibérica durante a Revolução Espanhola, aponta o influente anarquista Murray Bookchin. Na Primeira Guerra Mundial, até mesmo o Exército Britânico optou por recrutar batalhões inteiros formados por amigos e vizinhos, os Pals Batallions, como forma de explorar a coesão fruto da afinidade e intimidade desses modelos, em oposição aos pelotões formados por desconhecidos. Na atualidade, redes grupos de afinidade organizam protestos antirracistas e radicalizam ações diretas, de apoio mútuo e assistência médica em conflitos no Brasil, nos Estados Unidos, no Chile e até revolução social em Rojava. O que demonstraria uma capacidade de adaptação e resiliência dos grupos de pessoas que se conhecem e compartilham laços profundos para lidar com situações e ambientes hostis.

No coletivo Facção Fictícia, costumamos usar  como slogan a frase “Vandalismo, Depredação e Análise”. Seu tom carrega uma ironia, mas também uma sutil referência a um contexto histórico maior e que gostaríamos compartilhar. A expressão é uma adaptação da frase “Uma Gangue de Rua com Análise” (A Street Gang with Analysis“), que era como se autodefiniam um dos coletivos artísticos, radicais e subversivos mais perigosos dos anos 60 nos Estados Unidos: os Up Against the Wall! Motherfuckers. Seu nome em português seria algo como “Mão na parede, filho da puta!” – uma frase bastante comum de se ouvir se pixar ou grafitar muros sem autorização é uma de suas atividades preferidas. Compartilharemos abaixo um de seus folhetos sobre grupos de afinidade, mas antes, gostaríamos de oferecer algum contexto histórico e apontamentos teóricos sobre o tema.

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“Nós éramos da rua. Nossa profissão foi a revolução. Foi tudo o que fizemos. Não tínhamos emprego, não éramos estudantes, tudo que fizemos foi radical. Uma militância radical. Verdadeiramente permanente. De manhã à noite, todos os dias. Dávamos comida de graça às pessoas, tínhamos um apartamento (que chamamos de “sala de jantar”) onde as pessoas podiam ficar sem pagar. Também tínhamos roupas disponíveis. Tudo o que fizemos foi de graça.”

– Ben Morea, em entrevista de 2018

Os Mutherfuckers!, como gostavam de se chamar, foram dos que levaram os grupos de afinidade aos limiares máximos da arte e da ação revolucionária. Sua cruza com os movimentos sociais mais relevantes de sua época, como os Black Panthers, mas também com grandes nomes da música e da arte, como os Surrealistas, e autores de diversos pontos do espectro radical, de Murray Bookchin aos Situacionistas. Diz a lenda que veio deles a arma que a feminista Valerie Solanas, usou para dar o tiro que quase matou Andy Warhol e que foram eles os responsáveis por expulsar a banda MC5 em suas limousines de um show gratuito comunitário por “venderem a revolução”.

Formado em Nova York em meio às agitações políticas da década de 1960, o grupo se reuniu em torno da revista Black Mask. Mais tarde assumiriam o nome “não publicável” (“unprintable name”, segundo New York Times) Up Against the Wall Motherfucker!. ou simplesmente “The Motherfuckers” e, mais tarde, “The Family”. Autoproclamados herdeiros do dadaísmo e do surrealismo, sua primeira ação pública acabou por fechar o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa) em 1966 apenas divulgando que iriam até lá fazer uma intervenção, o que levou o museu a trancar as portas por medo de que fizessem qualquer coisa. Já em 1968, MoMA recebeu a exposição “Dada, Surrealism and Their Heritage”, sendo criticada por seu foco na cultura pop e pouco em seu lado político. Dessa vez, os Motherfuckers se juntaram a outros grupos como Chicago Surrealists e marcharam em 300 pessoas rumo ao museu que estava cercado pela polícia e tropas de choque. Manifestantes soltaram galinhas e bombas fedorentas dentro do museu. Mais tarde, Salvador Dalí teria admitido: “agora somos parte do establishment”.

“Não somos artistas, nem anti-artistas. Somos homens criativos – revolucionários. Como homens criativos, nos dedicamos a construir uma nova sociedade… O falso conceito de arte não pode nos conter.”

– Black Mask, nº3, janeiro de 1967

Sua prática ganguista desenvolvidas nas ruas, nos centros de detenção juvenil e em constante conflito com a polícia fez com que até mesmo os Situacionistas temessem a relação com o grupo. Os Situacionistas chegaram a criticar o “puro ativismo” e decidiu pela expulsão da revista Black Mask de seu círculo “sem que seus membros sequer tenham concordado em entrar”. Foram apresentados ao grupo francês pelo anarquista Bookchin, que mais tarde também romperia relações com o Debord e seu secto. Inspirados nos escritos dos Situacionistas sobre arte e sua crítica social radical, UATW/MF tomou a ideia de “totalidade” para sua proposta de “Revolução Total”. No entanto, a ação radical nas ruas que buscava encarnar o ódio do lúmpen proletariado como relatado no texto de Debord sobre a revolta do bairro negro de Watts, em Los Angeles de 1965, cujo os Motherfuckers levavam as últimas consequências em suas práticas de vida parecia assustar os eruditos Situacionistas que, segundo alguém que foi próximo ao movimento, Jean-Pierre Voyer, “exceto por Vienet, que era mecânico, não conseguiriam bater um prego”.

Por outro lado, movimentos radicais com tradição em ações comunitárias e disposição para a autodefesa armada, como os Panteras Negras, tinham profunda simpatia pelos Mutherfuckers. Suas ações tática e esteticamente se aproximavam dos Panthers. Segundo Gavin Grindon, “Morea foi a única pessoa branca a quem foi oferecido um título honorário filiação ao Partido dos Panteras Negras”. Grindon ressalta também que, inspirados por grupos como os Diggers de São Francisco e os próprios Panteras Negras, os UATW/MF patrulhavam os bairros seguindo e vigiando a polícia, às vezes armados com facas ou correntes de moto. Ocasionalmente, eles livravam pessoas (interrompendo uma prisão e resgatando o preso). Eles se autodenominavam ACID (Comitê de Ação para Defesa Imediata) ou ESSO (Organização de Serviços do Lado Leste). Eles também montaram lojas gratuitas, […], programas de alimentação gratuita, clínicas gratuitas ocasionais e serviços jurídicos, todos financiados principalmente por doações.

A última edição da revista Black Mask foi em 1968, marcando a mudança de nome do grupo para oficialmente Up Against the Wall Motherfucker – Uma gangue de rua com análise.

Dos debates com Murray Bookchin em décadas mais joviais e menos rabugentas de sua carreira, surgiu o termo “Grupos de Afinidade”, hoje comum entre os grupos militantes radicais. Herbert Marcuse,  que era tio de Tom “Osha” Neumann, membro dos Motherfuckers, deu uma palestra em Nova York e Ben Morea desafiou o intelectual e suas ideias sobre arte. Depois disso, alguns membros do grupo reuniram-se com Bookchin em seu apartamento e debateram junto do comunista Russel Blackwell sobre as milícias anarquistas na Revolução Espanhola de 1936, organizadas em grupos de compañeros. Na década seguinte, em 1971, protestos com dezenas de milhares de pessoas em Washington foram organizadas por uma constelação de grupos de afinidade coordenados. [GINDON, Gavin, Poetry Written in Gasoline, p. 23.]

A comunidade precisa de espaço livre. Ele precisa sobreviver, ficar louco, respirar, expandir, amar, lutar, ligar. […] Um evento Motherfucker tinha que incluir comida grátis, música, discursos espontâneos, chamada e resposta.

– Osha Newman, Up Against the Wall Motherf**ker!: A Memoir of Anarchism in the ’60s.

Afinidades: a primeira unidade de ação revolucionária

A herança do encontro entre esses militantes anti-artistas, anarquistas, socialistas, antirracistas e revolucionários para a prática dos movimentos atuais é extremamente relevante. Movimentos grandes e revoluções inteiras foram construídas com grupos e coletivos que começaram pequenos, rompendo com a norma estabelecida, se organizando para encontrar aliados e enfrentar sistemas inteiros.

Para atuar com o maior nível de segurança possível em momentos turbulentos onde é necessário agir fora dos mapas para romper o isolamento e encontrar seus pares, compartilhar cumplicidade, evitar grandes grupos ou exposição desnecessária. Essa é uma das vantagens dos grupos de afinidade. Nesse caso, nos referimos a grupos de amizade, cumplicidade e confiança, que compartilham pontos de vista comuns e interesse pelos mesmos objetivos e táticas, que desejam compartilhar tudo que é necessário para viver desde já a revolta que querem ver no mundo. Confiança, consenso, consentimento levado a um nível pessoal, face a face e não mediado. Esse tipo de grupo é uma forma de se organizar e tomar partido em grandes momentos de mobilização que rompem com os limites institucionais de movimentos sociais tradicionais, ao mesmo tempo que empoderam e encorajam a participação daquelas que não teriam legitimidade para se organizar de acordo com a mitologia marxista e das organizações de massas.

Esses grupos, em geral, não estão isolados entre si, mas em informal sintonia e, eventualmente, se encontrando com outros grupos pelo espaço das cidades, seja se descobrindo e colaborando durante um ato ou ação, seja estabelecendo uma rede de comunicação informal e boca a boca. Laços que se estreitam quando mais precisam, se dispersam quando a poeira baixa e a fumaça se dissipa mas nunca são deixados de lado para atrofiar. E nossas ações devem buscar aumentar a potência enquanto corpos e fortalecer suas conexões. Para aumentar essas potências, precisamos promover bons encontros: “a partir de agora, não aceitaremos nenhuma amizade que não seja política”.

As intervenções de rua do UATW/MF em 1966 já prefiguravam a estética Black Bloc que surgiria 20 anos depois nos movimentos de ocupação na Alemanha para se espalhar por todo o globo.

Visibilidade e Opacidade

Algumas pessoas podem atuar apenas com suas organizações, comunas ou grupos de afinidade, outras também podem estar em contato ou atuando em grupos maiores e maior mobilização e visibilidade. Mas é importante que se tenha em mente quais conexões trazem mais visibilidade (e seus riscos) para pessoas e grupos que pretendem permanecer opacos, invisíveis para o olho do poder. Importante considerar também que, se para algumas pessoas a visibilidade significa um risco, para outras ela é uma forma de proteção, que significa que se forem perseguidas e presas, contarão com possíveis mobilizações em solidariedade, o que pode ser mais embaraçoso para o Estado continuar efetuando uma escalada de prisões. Por isso é sempre mais útil para ele prender quem não tem tanta visibilidade dentro dos movimentos ou mesmo na mídia e, se possível, que esteja ligada a posturas mais radicais. Portanto, estar próximo dessas pessoas com maior visibilidade pode significar que as atenções que seriam dadas a elas, caiam sobre você e seu meio. Isso é particularmente perigoso quando essas pessoas com não dão a mínima para segurança e anonimato delas mesmas e daquelas relações com aquelas ao seu redor, ao mesmo que tempo que as convidam para somar com radicalidade em suas ações – como vimos nos principais grupos envolvidos na “luta contra o aumento” em junho de 2013 mas entre muitos outros episódios recentes da luta antifascista no Brasil contra o governo Bolsonaro.
 
Não quer dizer que grupos com disposição para ações mais radicais e criminosas e os grupos que atuam dentro da lei e com certa visibilidade não devam ter contato. Esse contato é estratégico para atingir a maioria dos nossos objetivos, no entanto deve ser feito com respeito às necessidades de segurança de cada parte. Além do mais, total anonimato e opacidade pode dificultar para o Estado nos encontrar, mas, ao mesmo tempo, pode nos isolar e dificultar que novas pessoas se se encontrem se tornem companheiras passem a cooperar. A repressão se beneficia quando grupos radicais se isolam em cenas reduzidas e privadas pois isso impede a adesão e a formação de uma base social de apoio e dificulta a propagação da ação direta e da solidariedade. Nosso maior desafio não é nos encarregar de táticas militares ultrassecretas, mas difundir habilidades e práticas libertárias de resistência. Não há nada melhor que atividades participativas, que ofereçam portas de entrada para novas pessoas e oportunidades para grupos existentes se unirem. Da mesma forma, anarquistas precisam equilibrar as vantagens do segredo com a necessidade de fazer circular novos formatos e energias rebeldes.
 
A guerra entre as classes invade todos os campos da vida: goste ou não, nascemos nisso e decidimos a todo o tempo como lutar. A questão é agir estrategicamente de forma a não lutar só. Isso é particularmente complicado no atual contexto de vigilância e repressão. Deve-se atuar em um grau mínimo de clandestinidade para que se possa resistir de forma significativa. Mas se o aspecto mais importante da resistência sãos as relações sociais que produzem a própria resistência, é um erro escolher formas de luta que criam bases e apoio social cada vez menores.
 
Se nossas bases sociais podem ficar menores à media que os conflitos se intensificam, pode ser mais apropriado manter guerras mais brandas que não provoquem a fúria total do Estado ou então começar uma unidade de resistência popular mais ampla do que apenas um grupo de afinidade com sua galera. Isso não quer dizer deixar de lado os grupos de afinidade, mas entender que eles devem ser um meio para catalisar a ação popular, não um fim em si mesmo. O Estado vai, normalmente, preferir desacredita e isolar grupos do que prendê-los ou matá-los. Perceber que essa é sua prioridade nos leva a defender nossas relações e conexões sociais como prioridade para nós. Podem nos espancar ou nos prender enquanto indivíduos, mas o importante é saber se manteremos vivos nossos valores e táticas.
 
Não estamos falando nenhuma novidade mas também não é um protocolo a ser seguido à risca. Estamos relatando uma forma de ser, estar e agir espontânea e ao mesmo tempo crítica. Uma forma de se encontrar, se afetar e de compartilhar cumplicidade, solidariedade e ódio contra o poder autoritário. Vimos essa forma emergir nas ruas do Brasil, no entanto é o tipo de células e redes que estiveram por trás de muitos dos maiores levantes da história recente, em diferentes países e continentes.
Capa da revista Black Mask em janeiro de 1968.

A seguir, uma tradução do panfleto sobre grupos de afinidade produzido e amplamente difundido pelos UATW/MF na década de 1960 e 70. Que sirva de inspiração para novas gerações que buscam uma profunda relação entre ética e estética, não como mera apresentação visual ou de estilo, mas como uma forma de intervir no mundo de forma radical. Se nossa arte não for revolucionária, então não é nossa revolução.

GRUPO DE AFINIDADE = UMA GANGUE DE RUA COM ANÁLISE

por Up Against the Wall! Motherfuckers

“As ideias podem criar situações de vida ou morte, mas um homem pode realmente apenas lutar e morrer por si e pela vida de seus amigos.”
– Chief Joseph

Na luta atual, formas de organização devem surgir sendo adequadas às condições modificadas que compõem a matéria real de nossos tempos. Devem ser formas suficientemente coeso para resistir à repressão; formas que podem crescer secretamente, aprendendo a se manifestar de infinitas de maneiras, para que seu modo de operação não seja cooptado pela oposição ou simplesmente seja esmagado. O grupo de afinidade é a semente/germe/essência da organização. Ela se reúne por Necessidade ou Desejo mútuos: grupos históricos coesos se unem das necessidades compartilhadas da luta pela sobrevivência, enquanto sonham com a possibilidade de amar. No período pré-revolucionário, os grupos de afinidade devem se reunir para projetar uma consciência revolucionária e desenvolver formas para lutas particulares. No próprio período revolucionário, eles emergirão como quadros armados nos centros de conflito e, no período pós-revolucionário, sugerem formas para a nova vida cotidiana.

As manifestações de massa são bem-sucedidas de duas maneiras: trazem níveis predominantes de consciência às ruas e tornam visível a quantidade de alienação ativa em nossa sociedade… e às vezes transcendem as questões de “manifestação” para se tornarem ações de massa. Como manifestações de massa, elas não conseguem avançar a natureza e as formas de nossa luta – como ações de massa (contra a polícia ou contra a propriedade), começam a definir a direção e a realidade do que nossa luta deve se tornar. “Motins” ou rebeliões são as formas mais altas de ação em massa que vimos até agora.

Folheto original sobre Grupos de Afinidade, por UATW/MF

Essas rebeliões projetam a consciência de uma comunidade em ação, uma vez que (1) libera bens e áreas geográficas e (2) envolve as forças de ocupação (PORCOS) na batalha. Essa forma também possui vantagens e limitações; e é em resposta a ambas que as pessoas estão descobrindo as possibilidades tático-teóricas de trabalhar juntas em pequenos grupos íntimos. As perspectivas para o futuro são claras em pelo menos um aspecto: os Homens e seus Porcos estão aprendendo o “controle de multidão” e estão ampliando sua resposta a todas as massas de pessoas que se dispõem a se comportar violando as “leis e a ordem” dessa sociedade. Nossos preparativos para avançar na luta devem sempre levar em conta as habilidades e tendências do inimigo. Manifestações de massa e rebeliões nos bairros continuarão a atender necessidades específicas em muitas situações… Mas, no sentido geral de luta contínua, é necessário que comecemos a agir da maneira que for mais favorável aos nossos meios e objetivos – O PEQUENO GRUPO QUE EXECUTA AÇÕES “PEQUENAS” ORQUESTRADO COM OUTROS GRUPOS PEQUENOS/AÇÕES “PEQUENAS” CRIARÃO UM CLIMA DE LUTAS GENERALIZADO EM QUE TODAS AS FORMAS DE REBELIÃO PODEM JUNTAR-SE E FORJAR A FORMA FINAL: REVOLUÇÃO…

Já vimos a resposta de pequenos grupos – as Comunas de Columbia, as Gangues Revolucionárias de Berkeley, os Comitês de Ação da França e outros até agora conhecidos apenas por suas ações (Cleveland). Nos próximos meses, esses grupos e muitos outros que se formarão enfrentam dois tipos de extrema necessidade, à medida que procuram criar a possibilidade de uma comunidade real:

(1) Desenvolvimento interno e segurança. Cada grupo continuará a criar seu próprio senso de identidade através da síntese consciente da teoria/prática; e cada grupo aplicará essa identidade à realidade existente da maneira mais eficaz.

(2) Relações externas com grupos semelhantes. Devemos começar a estabelecer as formas de comunicação e conscientização mútua que podem permitir maior mobilidade e maior resposta a crises mais do que locais. Isso significa que teremos que começar a criar uma rede de grupos de afinidade (dentro das comunidades existentes e entre essas comunidades).

Essa rede ou “Federação” deve ser caracterizada por uma frouxidão estrutural que garanta a identidade e autodeterminação de cada grupo de afinidade, bem como uma realidade organizacional que permita o máximo de ações coordenadas direcionadas à revolução total.

O conceito de grupo de afinidade de forma alguma nega a validade das ações de massa; antes, essa ideia aumenta as possibilidades revolucionárias dessas ações. A minoria ativa é capaz, porque é teoricamente mais consciente e melhor preparada taticamente, para acender o primeiro pavio e fazer os primeiros avanços. Mas é tudo. Os outros podem seguir ou não seguir… A minoria ativa desempenha o papel de um agente agitador permanente, incentivando a ação sem pretender liderar … Em certas situações objetivas – com a ajuda da minoria ativa – a espontaneidade encontra seu lugar no movimento social. É a espontaneidade que permite o avanço e não os slogans ou diretrizes dos líderes. O grupo de afinidade é a fonte de espontaneidade e de novas formas de luta.

up against the wall/MOTHERFUCKERS

341 EAST 10th St. LOWER EAST SIDE NEW YORK, NY.

“Procuramos pessoas que gostam de desenhar”

Para Saber Mais:

Análises Críticas de uma Gangue de Rua – Textos publicados originalmente nas revistas Black Mask e UAW/MF (Nova York, 1966-7).

UP AGAINST THE WALL, MOTHERFUCKERS! – Conversa com Ben Morea – Entrevista de 2018.

Como Formar Um Grupo de Afinidade – Coletivo CrimethInc.

“Sobre grupos de afinidades” – Livreto organizado por Imprensa Marginal e Instituto de Estudos Libertários

Grupos de Afinidade – Murray Bookchin

Acerca dos Grupos de Afinidade – Das Lutas e GAMA – Grupo de Afinidade e Movimentação Anarquista

Petry Written in GasolineArtigo de Gavin Grindon sobre Black Mask e UATW/MF em PDF para impressão, em inglês.

Up Against The Wall Motherfucker! – An anthology of rants, posters and more – zine em PDF para impressão, em inglês.