Posters

Aqui estão alguns posters prontos para imprimir e encher as ruas. Divirtam-se!

#O QUE É DEMOCRACIA?

democdemoroGerações antes de nós lutaram para derrubar reis e ditadores mas não conseguiram abolir as instituições usadas para nos governar: conseguiram apenas democratizar essas instituições. Logo, não interessa se quem está no comando é um rei, um presidente ou um eleitorado, pois o peso sobre quem está na base dessa pirâmide é sempre o mesmo. Leis, burocracia, polícia, prisões e guerras vieram antes de democracia e funcionam da mesma forma em um regime democrático ou em uma ditadura. A única diferença é que, como podemos votar em quem vai comandá-las, vemos essas instituições como se fossem nossas, mesmo quando são usadas contra nós.

5 Posters em formato A3:

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#TODAS AS FORMAS DE POLÍCIA

Desmilitarização não é a solução! Nossa única saída é a organização e a construção de uma comunidade forte, que torne toda forma de Polícia obsoleta.

Fim Da Polócia[Poster em PDF]

Considerações sobre a polícia

Já foi dito que quanto maior as desigualdades de uma sociedade, mais força é necessária para manter sua estabilidade. No Brasil, uma das mais presentes (quando não a única) instituições do Estado é a polícia – e claro, sua ignorância, sua brutalidade e seu anacronismo. Mesmo tido como país com economia crescente e uma das maiores potências do mundo, sua força policial não foge à regra dos demais países terceiromundistas, marcados por ditaduras que carregam a impunidade e os procedimentos de seus perpetradores, onde não faltam miséria, corrupção, violência e prisões lotadas. Convivemos com uma polícia corrupta e envolvida até os ossos com o crime organizado e estreitas relações com as facções criminosas que combatem nas ruas, e cujos oficiais são conhecidamente parte de grupos milicianos e justiceiros – e não, eles não são a exceção. A violência que marcou os protestos desde as Jornadas de Junho é a violência que eles tem a coragem de cometer sob holofotes e câmeras do centro da cidade. Quando as luzes se apagam e as multidões se dispersam, não existem limites para o poder assassino desses vermes. Sua cor ou o bairro onde mora podem significar uma abordagem sem justificativas, extorsão e tortura; uma passagem na sua ficha pode se tornar desculpa para sua execução, que será caracterizada como “auto de resistência”. Um bar na periferia pode ser metralhado por mascarados em um carro preto instantes depois de uma viatura rondar o local e o caso será arquivado.

Como encarar, pensar, se defender e reagir à ação policial é um tema importante para todas as anarquistas. Porém, num contexto como o nosso, que é infinitamente mais instável e sangrento do que o de anarquistas pensando nos seus contextos do primeiro mundo, o pior dos cenários já está montado, com uma polícia militarizada e mortes atingindo números semelhantes ou maiores que muitos países em guerra declarada. Portanto, não apenas não podemos começar nos pautando pela força militarizada, nem na frieza ou falta de escrúpulo para vencê-los, como talvez isso será impossível por muito tempo. Junho serviu para jogar os holofotes sobre suas fardas e seu modus operandi e a quem eles realmente obedecem, e a desaprovação generalizada de fato inibiu sua atuação em alguns momentos. É preciso buscar outras formas de limitar suas ações enquanto aumentamos nossas potencialidades. Entender seus limites ou alcançar formas de vencê-los nas ruas e protestos em algumas batalhas pontuais mas, sobretudo, expor seu verdadeiro caráter e sua ilegitimidade pode ser uma forma de isolá-los de qualquer apoio ou identificação popular.

A polícia não exerce um poder legítimo

Um policial comum não é nenhum especialista em leis, ele provavelmente sabe os protocolos de seu batalhão mas muito pouco sobre as leis atuais. Isso significa que sua atuação consiste em grande parte de blefe, intimidação e abuso de poder. A polícia mente e quebra suas próprias leis e regulamentos em qualquer procedimento: desde atirar em manifestantes sem que a tropa esteja sobre ataque, até abordagens sem que haja uma denúncia fundada; da invasão de imóveis sem mandado, até a tortura e a execução de suspeitos que serão conduzidos irregularmente dentro de seus veículos para o hospital, impossibilitando a perícia ou o socorro adequado. Isso não significa que devemos sempre nos pautar pela legalidade e aceitar a lei como algo legítimo. Nosso sistema legal é apenas um teatro para poderosos governarem sobre os pobres. Obedecer as leis não tem nada de moralmente correto, pelo contrário. Escravidão era legal e ajudar quem fugia era crime. Os nazistas chegaram ao poder pelas das vias democráticas e aprovaram leis através dos meios legais existentes. Devemos nos empoderar e compartilhar essa consciência de forma a fazermos o que pensamos ser correto, independentemente das leis ou da intimidação policial.

Policiais não são “trabalhadores como nós”, nem potenciais aliados

O papel da polícia é servir às classes dominantes e seus interesses. Qualquer pessoa que nunca teve uma terrível experiência com a polícia é provavelmente privilegiada, submissa ou os dois. Policiais sabem exatamente o que estão fazendo quando entram para a corporação. Claro que muitos aceitam esse emprego por pressões econômicas, mas um salário ou uma carreira não são desculpa para desalojar famílias de suas casas, perseguir e matar a população negra, pobre nas periferias e favelas, ou agredir e mutilar quem se manifesta ou age contra a ordem que eles tentam defender. Alguém que vende sua consciência e sua empatia por outros seres humanos deve ser visto não como um potencial aliado mas como um inimigo de todas as pessoas. Há quem argumente usando o fato de que policiais também fazem parte dos 99% das pessoas oprimidas pelo 1%. Isso é verdade, assim como é verdade que a maioria dos estupradores, homofóbicos e neo-fascistas também fazem parte e isso não faz deles nossos potenciais aliados. Muita gente acredita que nossos apelos podem fazê-los abandonar a corporação e trazê-los para o nosso lado. Mas policiais não são trabalhadores comuns: eles escolheram ganhar a vida defendendo um sistema dominante e opressivo, logo, são os menos simpáticos ou solidários com quem deseja mudar esse sistema. Enquanto eles servirem aos poderosos jamais serão pessoas confiáveis, não interessa o quão “conscientes” ou bem intencionados eles estejam.

Resistir ou revidar não é “ser igual ou pior” que a violência policial

A violência não é inerentemente condenável e nem sempre é uma forma de dominação. Seu uso em si não torna a resistência incoerente ou contraditória com a luta pelo fim da opressão. Isso seria uma simplificação muito perigosa. Uma mulher que se defende agredindo o homem que tenta violentá-la é pior que o violentador? Escravos que se rebelaram e lutaram por sua liberdade são tão cruéis quanto seus senhores? A resistência que atacava e matava oficiais nazistas merece ser condenada da mesma forma que os regimes fascistas? Existe uma coisa chamada auto-defesa. Em alguns casos a violência pode servir para oprimir e manter um sistema opressor, em outros ela pode combatê-lo. Para algumas pessoas, ter fé em um sistema autoritário e seguir suas regras legais ou morais é a maior das prioridades, não importa a que custos. Elas acreditam que serão recompensadas por isso independentemente das consequências para as outras pessoas. Não importa se elas se definem como conservadoras ou apenas como pacifistas. Por outro lado, para aquelas que assumem responsabilidade por seus atos, a questão importante é que tipo de postura pode nos defender da opressão e criar uma realidade melhor. Muitas vezes isso inclui o uso da violência.

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